Gosto das palavras, de as usar, assim, agrupadas, a expressão antiga, ainda hoje, no que escrevo. Da minha infância, duas recordações emergem - e a certeza que serão, também, recordações para tantos outros: a Sr.ª. que vendia panquecas a um canto da Estação e as “casinhas”. Passo a explicar:
O encanto que envolve o mundo dos comboios é algo de absolutamente extraordinário, nos sonhos de uma criança. É magia… E, quando os sonhos de uma criança se concretizam? Bom, algo de maravilhoso acontece! Aos serões, o meu pai contava-nos coisas fabulosas! Falava das novidades do seu trabalho, das estações, dos sítios novos por onde passava e falava muito acerca dos comboios. Dizia, que havia um, chamado “foguete”, e a velocidade a que percorria os carris fazia mesmo jus ao seu nome. Eu queria saber tudo acerca dos comboios. Ficava pasmado com aquelas histórias…
Estas linhas são um contributo para contar experiências mas acima de tudo para prestar um tributo a um dos mais exemplares ferroviários que conheci em 37 anos que levo de vida ferroviária. Certo dia, na estação de Gaia, o maquinista de um comboio, em tom arrogante, exigia indevidamente ao então chefe de estação Rosa Santos, a entrega de um modelo de circulação, ao que aquele recusou entregar, explicando com a correção que o caracterizava a razão da não entrega.